Edícula Habitável


Errata

Como   a matéria da assessoria  saiu no site da empresa com incorreções, publico aqui uma versão da noticia, corrigindo e adicionando informações.  

Pesquisadora da Embrapa Rondônia é agraciada com Prêmio Samuel Benchimol

A pesquisadora da Embrapa Rondônia, Vânia Beatriz de Oliveira, foi a terceira colocada na categoria Social do Prêmio Professor Samuel Benchimol-2008 com o projeto “Educomunicação Científica”, a ser desenvolvido com estudantes do Ensino Fundamental de comunidades do Rio Madeira, em Porto Velho – RO.

 

Trata-se do maior prêmio da América Latina de desenvolvimento sustentável da Região Amazônica. Ao todo 162 propostas concorreram ao prêmio, que é dividido em quatro categorias: Ambiental, Econômica – Tecnológica, Social e Personalidades.

 

O objetivo do projeto de educomunicação é proporcionar a inclusão social de jovens rurais, por meio do desenvolvimento de atividades educacionais e de comunicação para a divulgação científica, preparando-os para atuar como jovens cientistas e como comunicadores das ações de pesquisa desenvolvidas na comunidade, contribuindo assim para a popularização da ciência e fortalecimento da cidadania.

 

Vânia Beatriz é comunicóloga com mestrado em Extensão Rural. A proposta metodológica de educomunicação para a divulgação científica que desenvolve está baseada na comunicação grupal e na linguagem audiovisual; utiliza dentre outros recursos, músicas de artistas da região amazônica  para estimular a discussão e a reflexão sobre a temática ambiental, em grupos de estudo. Também promove a organização e disseminação de informações, em linguagem acessível, sobre questões socioambientais, a partir da compreensão de como e para que “se faz ciência”, e qual a sua aplicabilidade no dia-a-dia do cidadão comum.

 

A cerimônia de premiação acontecerá no dia 21 de novembro , em Palmas-TO. Fazem parte da equipe do projeto, os pesquisadores César Teixeira, Cléberson Fernandes e José Roberto Vieira, e a  assistente de pesquisa Wilma Inês de França. Na elaboração da proposta a pesquisadora buscou a parceria da Secretaria Municipal de Educação (SEMED), da Emater, da Faculdade Uniron e do Conselho Jovem pela Sustentabilidade de Rondônia (CJS).

 

Prêmio

Instituído em 2004, o Prêmio Professor Samuel Benchimol é uma iniciativa do governo federal, por meio do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (Mdic), em parceria com a Confederação Nacional da Indústria (CNI), Superintendência da Zona Franca de Manaus (Suframa), Banco da Amazônia , federações de indústrias da região Amazônica e Sebrae.

Nas cinco edições do prêmio, esta é a quarta vez que a Embrapa - Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária, vinculada ao Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento,foi contemplada. Sendo uma pela Unidade do Pará, outra pelo Amapá, e duas por Rondônia,

Em 2006, a Embrapa Rondônia, conquistou o primeiro lugar , também na categoria social , com o pesquisador César Augusto Domingues Teixeira, com o projeto" Desenvolvimento de inseticidas Botânicos por Tecnologia de baixo custo para Agricultores Familiares".

 

 Vânia Beatriz, inaugurou a participação feminina da Embrapa no Prêmio



Escrito por Vania Beatriz às 02h27
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Premiada!!!

Prêmio Samuel Benchimol - Categoria Social

 

Nada  como um dia após o outro, das lágrimas da semana passado iniciei esta com muita alegria, a premiação em terceiro lugar do meu projeto de Educomunicação Científica:

 

http://www.amazonia.desenvolvimento.gov.br/index.php?option=com_content&task=view&id=108

Alegria dupla, pela satisfação e reconhecimento profissional e pela cpompensação financeira, que vai me ajudar a pagar o prejuízo deixado pelos ladrões.

 



Escrito por Vania Beatriz às 21h41
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A semana

Imagens da semana:

 

Mais uma semana às voltas com as providências e conseqüências do assalto. Mesmo quando voltar à rotina, por quanto tempo ainda se repetirá a imagem dos três moleques correndo em minha direção com as armas em punho?

 

O jornal de ontem trouxe uma notícia de que a polícia desmantelou uma quadrilha de menores que vinham agindo na zona onde moramos. Mas cadê coragem de voltar na delegacia, depois do jeito que fui tratada?

 

Na sexta-feira, um vizinho, irmão de um policial, veio me falar que “caíra” muita coisa na Central de Polícia, que seria bom eu ir lá.  Na segunda-feira fui fazer exames periódicos, deixei para ir na terça-feira na delegacia, já que A. estava viajando.



Escrito por Vania Beatriz às 22h56
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A semana: terça

Foi a vez de ir fazer um óculos de grau. O bifocal o ladrão levou, e o outro inexplicavelmente perdi. Estava quebrando o galho com um de grau mais fraco e com o aro quebrado, fazendo com que a lente caísse a toda hora.

 

Vaga para consulta ao oftalmologista só em outubro. Decidi fazer uns óculos provisórios, sem a certeza do grau.

$$$$ (barulho de caixa registradora) R$ 200,00

 

A tarde, A. não deu ouvidos as minha orientações para que evitasse o Trevo do Roque ( em obras por conta da construção de um viaduto) , e logo perdeu a paciência diante do enorme engarrafamento ( este assunto merece um post à parte) e decidiu retornar.

 

Deixei-o no trabalho, e voltei na Central. A funcionária, passava baton, e continuou fazendo enquanto me atendia. Depois de me mandarem à duas salas diferente, retornei à ela , que me levou em uma terceira sala, a do escrivão, que não estava , mas tive que ouvir por tabela o “esporro” do delegado  na funcionária , que me fez entrar na sala dele: “Esse pessoal lá embaixo já devia saber que não estamos tendo expediente à tarde, que não é pra deixar ninguém subir!” . A Maria Ninguém aqui, se recolheu a sua insignificância e foi embora.



Escrito por Vania Beatriz às 22h54
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A semana: quarta-feira

Perdi a manhã inteira na internet pesquisando preço de notebook , filmadora e fotográficas  similares aos roubados, para fazer o orçamento a ser apresentado ao Seguro. Perda de tempo, fui ler as entrelinhas do manual do segurado e descubro tristemente, que notebooks (assim como relógios , jóias e celulares) fazem parte da lista de bens não cobertos pelo Seguro.

 

À tarde, nem fiz a sesta, fui deixar A. no trabalho e ao banco pegar extrato da conta do Projeto, temendo que algum cheque roubado esteja fora dos bloqueados. Um  homem de paletó , ignorou minha presença na “fila de espera sentada” e passou direto até um gerente , que por sua vez indevidamente o encaminhou a outro, passando assim na minha vez. Eu estava em dia de “se poupe!”, resolvi não brigar, controlei a minha vontade de ser irônica: - “o senhor usou a prerrogativa de “idoso” para passar na minha frente?”.

 

Do banco fui direto ao oftalmologista, perdendo assim a minha sagrada meia hora de sesta. Enfrentei mais uma “fila sentada”. Eu seria a oitava a ser atendida: “lá para as quatro horas , estimou a atendente”. Resolvi sair , tomar um sorvete de açaí com tapioca ( desisti do açaí tão descorado era), voltei em casa , para mais consultas na internet e finalmente fazer o pedido de compra.

$$$$ (barulho de caixa registradora) R$ 2.750,00

(é o total dos equipamentos que comprei para substituir os da empresa que foram roubados. Esta é a prioridade. O da minha filha, só quando acabar de pagar as 10 prestações, do que o ladrão levou.)

 

 

Voltei no oftalmologista , e ainda faltavam   duas pessoas antes der mim. Muita gente para fazer exame pré-admissional. Estava explicada a falta de vagas.

Um rapaz  reclamava, porque precisava de um laudo, que não fora especificado no pedido da consulta. A atendente queria que ele voltasse no SESI, para reclamar com outra moça, que fizera  a solicitação errada. E o pobre , que veio de  outro estado e mal conhece a cidade,  insistia que queria falar com o médico , para explicar , que nãio era daqui, e que não tinha dinheiro (R$50,00) para pagar o tal laudo, não previsto.

 

Fiquei com dó, vontade de oferecer ajuda, pelo menos levá-lo até o SESI , nada perto dali , e contra-mão para ir de ônibus.

 

Quando finalmente penso que chegou a minha vez, a secretaria faz entrar um adolescente. Outra moça me pergunta: - é Vânia com V ou com W?

A sujeita ainda não tinha achado a minha ficha e para não fazer o médico esperar, decidiu passar o garoto na minha frente. Eu mereço!

 

O médico é um tipo esquisito, metódico, vai dando ordens: sente ali, ponha o queixo aqui, as mãos sobre as pernas, olhe ali, não se mexa, e eu tensa, ia obedecendo aos comandos, mas quando ele disse “olhe aqui” apontando para o alto da sua cabeça , com uma calvície iniciada, tive um incontrolável ataque de risos que o deixou sem graça!



Escrito por Vania Beatriz às 22h51
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A semana: Quinta-feira

Dia de lágrimas

 

Logo cedo fui testemunha do atropelamento de um motociclista. A cena (um carro o bateu e o jogou ao chão, o que vinha atrás o atropelou) me deixou mal o dia inteiro.

 

Nesse clima tenso voltei à delegacia. Na mesma sala da terça, estava o mesmo delegado e o escrivão.  Seguiu-se o diálogo:

- Bom-dia, eu vim aqui porque tenho uma ocorrência de roubo e me disseram que eu deveria vir fazer procuração aqui.

 O homem fazendo anotações em um papel, sequer levantou a cabeça: - pode continuar falando, estou lhe ouvindo!

- Então, eu queria saber ...

- Você está procurando exatamente o que?

- notebooks, filmadoras, celulares, fotográficas...

- não, não caiu nada disso aqui. O que foi apreendido já foi encaminhado pra perícia.

- é que o notebook roubado é da empresa, vou ter que pagar...

- o notebook que “caiu” aqui, já foi encaminhado para a Delegacia do Menor..

- o que? ( a palavra “menor”, me remeteu ao “Frutinha” , apelido ouvido durante o assalto);

- não, nada, eu só estou dizendo que o notebook aprendido, já foi entregue ao dono!

- ah tá!

- Quando foi o assalto?

- há quase duas semanas

- então  desse dia pra cá não pegamos nada disso... mas se a senhora quiser ir ver (pegando uma chave e fazendo menção de se levantar)

- mas se o senhor está me dizendo que não foi apreendido nada disso, eu vou ver o que?

-  mas é que tem gente, que não acredita, quando a gente fala que não tem!

 

Agradeci e vim embora, chorando de raiva do fdc do ladrão e  mais ainda da falta de credibilidade na instituição polícia.

 

 

Mais tarde, uma fotografia na internet foi mais um motivo para chorar. Enfim, parece que finalmente destravei a torneira das lágrimas contidas desde o assalto.



Escrito por Vania Beatriz às 22h47
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A semana: sexta

Sexta-feira. O rapaz da oficina telefonou para avisar que finalmente o serviço fora autorizado pela seguradora. Quando telefonei para confirmar que optara pelo desconto da franquia ao invés do carro reserva, descobri que 75% era o valor à pagar e não o desconto.

$$$$ (barulho de caixa registradora) R$ 1.568,00

É a parte que me cabe nesse latifúndio, e nem está incluído o som roubado.

 

A noite, depois de uma super-prova de redação jornalística, resolvi relaxar e prestigiar meu amigo e colega de curso Monteiro , no lançamento do Cd Bazar Amazônico do Grupo “Anjos da Madrugada”. 

 Tive o privilégio de ficar na mesa de meu amigo cantor e compositor  Augusto Silveira, sua esposa e amigos , dentre eles o cantor/compositor Binho. Foi muito bom para descontrair de uma semana tão tensa.



Escrito por Vania Beatriz às 22h43
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A semana: Sábado

 

Dia caseiro de estudos. Na caixa postal, uma surpresa: carta de Seu Arlindo, um amigo de SP, que eu julguei tivesse morrido, pelo longo tempo de ausência. A segunda notícia boa: confirmada a data da aula presencial do meu curso em SP. Viajar e conciliar com reencontro com as puf-amigas no RJ, vai ser bom, vai me fazer bem. É o que eu espero!



Escrito por Vania Beatriz às 22h17
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A semana - domingo

Domingo

No amanhecer deste domingo, mais uma noticia triste, na noite de sábado, três bandidos armados (seriam os mesmos?), assaltaram um vizinho de bairro, o desespero o fez reagir e ser morto pelos bandidos.

 

Meu cunhado que é um cristão convicto, e cujos filhos adolescentes foram torturados por marginais, me falou ontem ao telefone:  - não tem jeito “só o extermínio de meia dúzia de bandidos, pra servir de exemplo”.  É chocante ouvir isso, não gosto nem de pensar se um dia vou chegar ao ponto de concordar!

 



Escrito por Vania Beatriz às 22h13
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O Lado Oculto da Violência

“Uma em cada dez vítimas de assalto, seqüestro ou outras formas de agressão desenvolve estresse pós-traumático”

 

(Extrato de reportagem de Ricardo Zorzetto, na Revista  FAPESP )

 

 

A semana passou rapidamente. A cada dia uma burocracia a ser resolvida:

 

Segunda-feira  - tive que ir no Banco cancelar cheques, e na delegacia retificaro BO. Voltei à tarde para passar a vista em dezenas de fotos de  “bandidos” , com tristeza reconheci entre os “fichados” um garoto que foi meu estagiário do Programa do Menor , convênio da  empresa com os Padres Salesianos. E pensar que ele queria  que eu o levasse pra Minas.

 

Terça-feira - dia de ir liberar o carro . Achei duas das quatro chaves  que estavam no meu chaveiro. Não sei nem como perdi meu óculos lilás.

 

Quarta-feira – No trabalho , para conferir o que realmente “não estava” nas pastas  roubadas.Menos mal, que se perdeu  apenas uma das três fitas mini-DV gravadas. Peguei três dias de licença, para  descansar a mente, que não se aquieta , nem me deixa dormir, nem a base de  Ritmoneuran.

 

Quinta-feira -  visita do  corretor do seguro casa, descubro com tristeza que os principais objetos roubados ( notebooks e celulares) , não são cobertos pelo Seguro ;

 

Quinta-feira –  volta à  aula. Carona para o filho na volta , me tranqüilizou a chegada.

 

Sexta-feira – Uma semana depois, tento não me deixar dominar pelo medo ao chegar. Não perdi só bens materiais , mas a tranqüilidade de chegar em casa e  até o prazer de ficar sozinha em casa. Um olho no PC e outro no portão, e atenta aos latidos dos cães da vizinhança.

 

Sábado – Um irmão de  um policial me procurou pedindo a lista de objetos. “Caiu” muita coisa lá na Central, quem sabe? Tomara meu Deus tomara!

Notebook= roubado!                        Rede= roubada!



Escrito por Vania Beatriz às 03h21
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Depois do temporal ...

Quase 48 horas depois, ainda estamos atônitos.

Juntando os cacos, tomando as providências de praxe, tentando recuperar  o emocional abalado.

Recoloquei as roupas no guarda-roupa criteriosamente , uma necessidade de adotar uma vida mais Franciscana , menos cheia de coisas que despertam a cobiça dos bandidos. Separei sacolas e mais sacolas, de roupas e sapatos e bolsas para doação.

Em meio as coisas, os lençois com os quais nos amarraram

Já havia sido assim , depois do assalto que me levaram o cordão de ouro em Belém, há 7 anos. Naquela época , decidi não usar mais nada de ouro a não ser  a aliança  e um único par de brincos, que clamufavam minha orelha rasgada. Estes se foram juntamente com uma gargantilha ( que guardei porque tinha meu nome grafado) e um anel quebrado, que eu havia me comprometido a doar para uma instituição de caridade e nunca achava tempo para encaminhá-lo.

Tnho orado e agradecido que nossas vidas tenham sido preservadas e sobretudo que eu e Bia não  fomos agredidas fisicamente.
Também está sendo dificil ficar repetindo a história pra todo mundo que telefona,  para as primeiras pessoas eu falava porque tinha necessidade de falar, mas agora é dificil ficar recontando e revivendo tudo.

Amanhã será mais um dia de providências burocráticas: cancelar cheques, desbloquear celulares,  receber peritos das seguradoras, tentar liberar o carro  e correr atrás da conclusão do inquérito. Enfim é tocar a vida pra frente com as lições aprendidas, sobretudo com relação aos cuidados, as precauções a serem tomadas na chegada e na saida de casa.E também com os politicos que ficam fazendo seus discursos de dar comida para os pobres, quando deviam estar propondo melhores condições de saúde educação , emprego e renda para que não caiam na marginalidade.

 

 

 



Escrito por Vania Beatriz às 19h20
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Sexta-feira, quase treze.

 

 

Sai do trabalho e fui assistir à palestra com o jornalista Caco Barcelos, era uma atividade extra classe da faculdade. O evento começaria as 20hs. Quando cheguei , ainda não havia começado, mas o estacionamento interno já estava lotado. Eu teria que deixar o carro estacionado na rua.  Fiquei apreensiva porque o notebook e a  filmadora que uso no trabalho estavam na mala do meu carro. (Final de projeto, eu precisaria trabalhar no final de semana).

Resolvi vir em casa deixar minhas pastas e os equipamentos, e voltei bem a tempo de ver abertura do evento, que começou com mais de uma hora de atraso.

 

Caco Barcelos, veio a convite do Jornal Diário da Amazônia, que comemora 20 anos de criação neste dia 13.  Vejam que ironia, ele falou sobre violência: que o brasileiro é muito violento, que é o que mais mata por motivo fútil; que pesquisas mostram que ricos e pobres são a favor da tortura policial a bandidos.

 

Todos os números de mortes vinham na minha mente, minutos mais tarde, quando, deitada no chão do quarto, ao lado de minha filha e de meu marido, com uma arma apontada para nossas cabeças, rezava para que não entrássemos para a estatística de Caco Barcelos.


Eu estava meio inquieta, apesar do local estar cheio de colegas da Fac., sentei sozinha. Quando a palestra acabou e Caco já só respondia às perguntas, resolvi vir embora. Eram 10:47.  No caminho vinha pensando no ouvido na palestra, no pedido de ajuda financeira de minha empregada para fazer uma cirurgia, e conclui que eu doaria os R$500 pedido (as vezes a gente leva um prejuízo besta  e gasta mais que isso, pensei).

 

Na esquina soturna de casa, como de hábito, olhei  para um lado e para o outro antes de abrir o portão eletrônico. Tive uma sensação estranha, parecida com aquela que “me avisou” minutos antes, que  uma caixa d’água cairia justamente no lugar onde eu estava, e sai a tempo de escapar da morte.

 

Quando abri o o portão vi os malandros surgirem. Sempre pensei que numa situação dessa eu tornaria a fechar o portão e ia embora com o carro, mas, já não dava pra eu recuar, só torci que o portão fechasse completamente antes que eles pudessem entrar, mas entraram!

 

Eram três, todos armados de revólveres 38.  Dei  um grito e meti a mão na buzina para chamar a atenção do marido e da filha que estavam dentro de casa. Mas não adiantou de nada, enquanto um me obrigava a deixar o carro e mostrar quem estaria nos quartos térreos, os outros dois já estavam lá em cima. Quando subi com o outro, encontrei Bia e Airton (todo ensangüentado da coronhada que levara) deitados no chão, onde também fui obrigada a deitar.


Seguiu-se 30 infindáveis minutos de tortura física e psicológica ( O que vc.  me diz dessa Caco Barcelos? Já experimentou? ). Pediam dinheiro, jóias e armas e ameaçavam nos matar se  não disséssemos onde estavam. Em tensa negociação, onde A . apanhou mais um pouco, porque disse que o vizinho era policial;  e o pior momento para mim, ver minha filha ser puxada pelos cabelos, numa tentativa de fazê-la de escudo.

Ao mesmo tempo em que íamos dando pistas de tudo  o que tínhamos, dinheiro só mesmo o que estavam nas bolsas, jóias quase nenhuma , entreguei a aliança e eles acharam no guarda-roupa uma gargantilha  e um anel quebrado, eram  essas todas as minhas jóias.

 

Comecei a orar , clamar por Jesus  Misericórdia  em voz alta, em nenhum momento eles mandaram eu me calar. Os minutos passando e meu receio era que o filho chegasse. Então eu rezava baixinho: "Jesus Misericórdia age, leva esses homens embora sem que nenhum tiro seja dado e antes que meu filho chegue".

 
Tenho certeza que foram as orações que surtiram efeito, pois eles pararam de agir com violência, até deram água para o A. quando este disse que estava passando mal. Nos amarram, mãos e pés, trancaram a porta do quarto e foram embora levando o meu carro.  Quando nos libertamos, ligamos para a policia e para  uns amigos: o namorado da Bia e a mãe chegaram em casa  primeiro que a polícia. Depois de registrada a ocorrência, levou Airton  para o hospital suturar a  brecha aberta na cabeça.

 

O prejuízo maior é o emocional. Depois são as minhas  informações de trabalho  que estavam nas pastas e nos equipamentos. Os bens materiais, espero recuperar uma parte com o seguro . Enfim coisas que se ainda fizer sentido em nossas vidas , trataremos de com trabalho recuperá-las, o que fica, é a gratidão a Deus, por  termos nossas vidas preservadas. Isso é o que importa.

 

Em tempo o carro já foi localizado.



Escrito por Vania Beatriz às 21h32
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Parabéns minha linda!

Com as flores doces, caduquice de vovó Beatriz e Tia Zany, o abraço do irmão grandão, que nem cabe na foto. Com papai e mamãe , presentes do Natal, o de hj ainda está a caminho.



Escrito por Vania Beatriz às 13h33
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Domingo

Na agenda mental:

- Ligar pra mamãe

8hs – Ao telefone, disco o mesmo número para o qual habitualmente que ligo desde que a linha foi comprada a peso de ouro nos anos 80 do século passado, porém a mensagem automática da Brasil Telecom, sem nenhum sinto muito, diz: este número de telefone não existe.

 

8:10 – Tentarei falar com minha irmã pelo MSN – Na tela aparece a mensagem:Prezado Cliente, A sua conexão banda larga Turbo da Brasil Telecom está funcionando normalmente. Entretanto, não foi possível a autenticação no seu provedor de acesso à internet.

Essa Brasil Telecom não existe!

Volta da feira?

Não, volta no quintal e colheita próspera. Enquanto colhia as acerolas, tentando imitar os apanhadores de café, filosofava. Descobri a resposta para a pergunta de meu filho na infância: “ a gente só morre velhinho?” .

Não, assim como na colheita da acerola, na colheita da vida vem do mesmo galho as madurinhas, as verdugas e as ainda em flor. Colher somente as “velhinhas” exige tempo paciência, que nem sempre o apanhador tem.

 

Acuada

Passei o dia sem ir ao escritório no alto do quarto. A noite quando acendo a luz , encontro  minha cadeira toda cagada de passarinho e  um amarelinho assustado voando de um lado ao outro se debatendo entre as paredes sem encontrar o único acesso para a sua liberdade.

Eu que me pelo de medo de bichos de asa, muito mais do que de qualquer inseto. Ainda abro a porta lá embaixo na esperança de que ele acerte o rumo da saída. Mas passarinho só sabe voa para o alto, bateu uma , duas três vezes no teto e foi se aquietar num cantinho do escritório. Não há xô! , nem passa! que o faça sair de lá. Exausto, faminto, deve ser presa fácil, mas cadê coragem de tocá-lo?

 

Acuada , recuei. Agora ele reina absoluto em meu escritório até que uma alma mais caridosa, ou mais corajosa que a minha o resgate.

Finalmente ele se foi , deixando minha cadeira carimbada de coco!

 



Escrito por Vania Beatriz às 22h11
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Ganhos & Perdas

Imagens mentais e digitais da semana

 

As “imagens da semana” que o Bom-dia Brasil exibe ao final do programa das sextas-feiras é o meu programa favorito na TV. Porque me emociona e me leva à reflexão, desse repassar a vida em sete dias passados. Onde eu estava em cada momento dessa história, quais são as minhas opiniões e sentimentos?

 

Não vi o programa desta sexta, mas já imagino imagens de risos e lágrimas pelas medalhas conquistadas ou perdidas nas olimpíadas de Pequim; pelos que sobreviveram e os que se foram, no trágico acidente aéreo na Espanha.

 

A vida é realmente um perde e ganha, repasso a semana, desejando a todos uma nova semana com mais ganhos do que perdas:

 

Domingo – 17/08/08 - Não “escovei” o cabelo no sábado, pensando aproveitar a piscina no domingo. Porém, entre levar A. no aeroporto, compras no supermercado, organizar a bagunça das bolsas e pastas;  NÂO mergulhei, não telefonei para minha amiga Malena que estava em meus pensamentos, nem para a minha mãe. Perdi. Conclui mais uma das nove lições do curso à distância, que tenho de concluir até outubro. Ganhei. Mentalmente pedi por um convite para almoçar. O convite veio, mas não fomos. Perdi o almoço e a oportunidade de estar com amigos queridos, e ainda perdi a oportunidade de valorizar um pedido atendido.

 

Segunda - 18/08/08 – No trabalho, ainda entalada com a sapa engolida na semana anterior. Sem internet e o computador lentium. Perdi. Na Faculdade estava meio devagar, meio expectadora da aula do dia, resolvi entrar na discussão. Ganhei.

 

Terça -19/08/08 - Reunião da CIEARO. Fico até envergonhada , de dar desculpas pelas demandas que não consigo atender. Perdi. Mas um anjo sopra em meus ouvidos “não queira carregar a cruz dos outros”. Acho que é isso, preciso mesmo aprender a dizer não. Noite café com tapioquinha, papos e risadas na casa de Jorges, tão bom! O namoro de Bia com o Jorge , nos trouxe novos amigos. Ganhei.

 

Quarta - 20/08/08 – Desdobramentos do Ser mulher: mãe aborrecida com os filhos no amanhecer, profissional em busca de solução, tirando dinheiro do próprio bolso (perdi); mulherzinha, esfriando a cabeça, escovando o cabelo no salão. Ganhei.  Acadêmica, não gostei da pauta passada, mas encarei os ossos do ofício de aprendiz de jornalismo: entrevistando as mulheres que pararam PVH, fazendo a greve dos policiais militares. Ganhei de novo!

 

Quinta-feira – 21/08/08 – Eu não assisto futebol, mas perco sono na madrugada vendo jogos de vôlei nas Olimpíadas, mas cedo estou no trabalho. Antes disso, colhi acerolas fresquinhas no quintal, para o suco matinal. O pé de None já deu os primeiros frutos e as mangas já começam a cair. Mudar para esta casa foi uma benção. Ganhei. O duro é ter que agüentar ir a um setor para uma reunião de trabalho, diante de uma televisão ligada no jogo  de futebol feminino Brasil x EUA. Eu não perdi, mas o Brasil sim. Bem feito para os torcedores de repartição!

 

Sexta-feira – 22/08/08 – Livros caídos da estante ainda no chão, eu descalça, meus sapatos debaixo da mesa da estagiária que não apareceu a semana inteira. Pastas espalhadas por todo canto. Assim fui surpreendida por uma visita. Perdi. No sufoco entre a arte de montarum painel e redigir um artigo técnico científico. Consegui fazer os dois, contando com o decisivo apoio de  minha PUF-amiga Bianca, que felicidade poder contar com essas meninas no meu dia-a-dia. Ganhei.

 

Sábado – 23/08/08 – Dormi com o sentido no jogo e acordei na madrugada  perguntando : já acabou o vôlei? Perdi o jogo de vôlei? Não perdi, nem havia começado.

 

Agora , enquanto escrevo , estamos no quarto set. Eu entro em quadra com estas meninas, me sinto meio Fofão, meio Sassá, vibro com as meninas, Paula Pequeno principalmente,  sempre fico p.da vida com a Mari que amarela em momentos decisivos, Jakeline me lembra a Kewelin, torço por uma vitória. Dentro de alguns minutos saberei se Ganhei ou se Perdi.

GANHEI, VIBREI, GRITEI, GANHEI!!!!!!!



Escrito por Vania Beatriz às 11h33
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