Edícula Habitável


Geni e o jornalismo sem diploma

“...Joga bosta na Geni

Ela é feita pra apanhar

Ela  é boa de cuspir

Ela  dá pra qualquer um

Maldita Geni.”

(Geni e o Zepelin – Chico Buarque de Holanda)

 

Em discussões sobre o jornalismo como profissão, costumo dizer que ela é comparável à Geni da canção de Chico Buarque “feita pra apanhar”, Com a decisão ontem (STF derruba obrigatoriedade do diploma de jornalismo) abriu-se a porta do prostíbulo. Na minha opinião, a aprovação do Recurso Extraordinário significa a banalização total da profissão, que há muito padece da “síndrome da Geni”, além de “feita pra apanhar”, “boa de cuspir” , Geni agora “dá pra qualquer um”: de médicos, advogados a cabeleireiros e modelos, não faltam candidatos a jornalistas, sem diploma e sem qualificação.

 

Meu avô Mauricio escreveu em jornal sem ter diploma, idem meu tio Quidinho, que antes de virar o Delegas Kid, foi companheiro de redação do Alcy Araújo no jornal A Província do Pará em Belém. Eu era ainda criança quando, baseada em meu gosto pela leitura e nos meus dedos longos e magros, uma tia vaticinou que eu seria jornalista ou pianista.

 

Há 30 anos, quando passei no vestibular para o curso de Comunicação Social na UFPA, tinha a intenção de fazer cumprir a profecia de minha tia. Mas logo na primeira aula um professor , o arquiteto Paulo Chaves, pintou um cenário tão feio para o exercício da profissão de jornalista, que  eu “amarelei” e migrei para a publicidade, iludida que, minhas habilidades para o desenho e uma reconhecida criatividade, fariam de mim uma bem sucedida publicitária.

 

Formei em publicidade, fiz mestrado em extensão rural, mas em 28 anos de experiência de trabalho (incluindo 2 anos como estagiária) fiz de tudo um pouco: assessoria de imprensa, comunicação interna, editei jornais, organizei eventos (grupo de teatro, festival de música, comemorações institucionais, campanhas), enfim mundo vasto mundo o da comunicação. Não obstante e,ou apesar d-isso, há dois anos voltei aos bancos da escola, para cursar a habilitação em jornalismo e há 8 meses estou cursando uma especialização em jornalismo científico à distância.

Na empresa onde trabalho exerço a função de pesquisadora, mas como atuei por sete anos como assessora de imprensa, fui jornalista provisionada na função de redatora. Depois do mestrado segui firme na área de pesquisa e desenvolvimento rural. Portanto precisar do diploma eu não preciso, mas sou a favor da obrigatoriedade do mesmo para o exercício da profissão de jornalista. Porque isto significa no mínimo o estudo das teorias da comunicação, que muitos incautos julgam dispensáveis.



Escrito por Vania Beatriz às 07h08
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O futuro do jornalismo

Na pós, discute-se qual o papel social e qual o futuro do jornalismo científico?  Seriam “as trevas” como diz o bordão adolescente? Ou a oportunidade para a comunicação cientifica ressurgir das cinzas resultantes da queima dos últimos jornais de papel?

 

Acredito na ciência da comunicação social como a base para o exercício das habilitações seja de jornalismo, relações públicas e publicidade. O perigo da decisão do STF não estar em legitimar os “vocacionados” e reconhecidamente competentes sem diploma, mas sim colocar no mesmo barco os embusteiros , qualquer um que, tomando posse do “poder de imprensa” , sob o argumento de liberdade de expressão possa irresponsávelmente cometer erros mortais.  Sim, uma falsa ou mal apurada informação divulgada, pode matar da mesma forma que um erro médico. Vide o famoso  Caso Escola Base, que acabou por matar de desgosto, o casal proprietário da mesma.

Às instituições de ensino, que ainda direcionam muito o estudo do jornalismo para o “jornalismo de redação” caberá a reformulação de seus currículos de modo a aproximar-se mais da concepção/formação de um profissional gestor do processo de comunicação, capaz de atuar, seja numa grande empresa , seja em uma organização associativa ou sindical.

 

Para se discutir o papel social do jornalismo científico, faz-se necessário discutir antes o jornalismo da atualidade, o jornalista e o seu público-leitor, num cenário em que a morte do jornalismo impresso é frequentemente anunciada e que a perda do hábito de ler “jornais de papel” é considerado uma decorrência natural das mudanças tecnológicas e domínio da internet como fonte de informações, estas disponibilizadas não só por sites jornalísticos, mas por blogues e sites pessoais.

 

Estes, têm se multiplicado rapidamente, sob a “propriedade” de profissionais das mais diversas áreas de conhecimento, todos com propósitos que se aproximam do propósito do jornalismo científico: o de transformar conhecimento científico e tecnológico em informação de compreensão popular, atendendo assim aos anseios de uma sociedade ( que estaria) interessada em ter notícia dos avanços técnicos-cientificos.  Na prática porém, junto com a divulgação séria da ciência, o espaço vem sendo ocupado pela divulgação da pseudociência.

 



Escrito por Vania Beatriz às 07h05
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Cenas da vida numa manhã de sábado

No dia de Santo Antônio fui aos Correios postar uma caixinha-presente  para a mana-Lili. Na dúvida se o aniversário dela é mesmo nesse dia , coloquei no postal da Côte d’Azur: Feliz Dia do Veterinário, Feliz Dia do Amigo, Feliz Aniversário, porque o importante é ser feliz sempre.

Quando ia saindo vi chegar um homem carregando nas costas uma saca aparentemente muito pesada. Achei que ele ia entrar nos Correios com a carga, fiquei segurando a porta. Não entrou, jogou no chão a saca cheia de coco verde  e pediu que eu comprasse para ajudá-lo, pois queria comprar uma sandália.

Decidi comprar.Não para ajudar, mas porque no dia anterior eu quis comprar coco e não consegui. Pedi que ele colocasse 5 no meu carro estacionado mais adiante. Enquanto  eu me adiantei para ir abrir o porta-malas, e o homem abordava um outro cliente. Uma moça veio  me alertar: que eu não confiasse no homem, que ele costumava atacar as pessoas, que eu não abrisse a bolsa diante dele.

Quando o homem chegou com parte dos cocos, pediu-me para comprar mais 3, pois a sandália custava R$8,00. Eu que já estava com os R$5,00 nas mãos, assustada com o alerta, disse-lhe não.

Quando ainda me preparava pra dar partida, vi sair  dos Correios, um rapaz “de boa aparência” que cumprimentou o homem (este maltrapilho e de pés descalços) : - ê ai ? Tu agora estas vendendo coco é?  Antes de montar em sua motocicleta, o rapaz ao levantar a camisa para guardar sua carteira, deixou aparecer uma pistola de cano prata em sua cintura. Engatei a ré e sai dali rapidinho conjecturando se o rapaz da moto seria um policial civil e conhecia o vendedor de cocos de alguma ocorrência policial.



Escrito por Vania Beatriz às 18h40
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