Deuscidências e a Oficina de Videoclipes
Certa vez fui criticada porque escrevi num projeto de pesquisa que a parceria se iniciara num encontro casual (o que era um fato). A doutora/cientista não aceitou mencionar coincidência em pesquisa. Engoli o sapo, aliás não engoli, ficou atravessado na garganta.
A realização de uma Oficina de Produção de Videoclipes Educativos em parceria com a Termonorte , no dia de ontem na escola Marcelo Cândia , em Porto Velho, veio provar que se não foi coincidência foi por Deuscidência, que conseguimos realizar um evento envolvendo uma rede de amigos e situações coincidentes.

Como pesquisadora, coordeno um projeto de Comunicação da Ciência florestal e uma das metas é produzir videoclipes educativos com músicas de artistas amazônicos. A criação dos videoclipes seria minha e ponto.
Como estudante de jornalismo, em março não pude ir ao UNIRON no bairro, por coincidência na mesma escola. Pedi ajuda ao Nilton, meu colega e caroneiro na volta da Faculdade, para que eu pudesse redigir um texto sobre o evento que faltei. Ele disse: “... faça sobre o projeto de educação ambiental que a escola vai fazer com a “Eletronorte”... “, uma informação imprecisa, descobri mais tarde quando no google tentei achar alguma informação sobre o tal projeto e não encontrei nada!
Era uma sexta-feira à noite, eu viajaria no domingo e deveria deixar o texto pronto. No sábado, parei numa papelaria só para comprar uma lapiseira para minha filha, voltaria logo pra casa para arrumar a mala, mas quando vi que o guardador de carro já havia colocado um papelão no pára-brisa, resolvi entrar em uma loja, foi lá que encontrei a Marilza, jornalista que conheço de longa data, mas com quem mantenho pouco contato.
Conversamos sobre filhas adolescentes, sapatos, jornalistas e professores da Fac. Perguntei se ela sabia quem era o responsável pelo projeto da Eletronorte, veio a surpresa: a empresa não era a Eletronorte , mas a Termonorte e coincidência! A responsável era ela.
Foi Deus que te mandou! Disse-lhe e pedi uma entrevista. Ela rapidamente foi até o carro e trouxe um folder sobre o projeto, fiz algumas perguntas, trocamos e-mail e pouco depois, quando cheguei em casa , já encontrei um e-mail dela com informações detalhadas sobre o projeto e a escola. Daí veio o convite para eu ir fazer uma palestra sobre o meu projeto e de lá veio a idéia de fazer a Oficina com os jovens da escola.
Foi muito bom trabalhar com uma juventude, interessada e já sensibilizada para as questões ambientais. A previsão era de ter 30 alunos, apareceram mais de 50 e quatro professores. Não foi por coincidência que contei com duas auxiliares muito eficientes: Monique e Sâmia, estagiárias na Embrapa.
Levei nove músicas para que os alunos escolhessem pelo menos duas para fazer os videoclipes. Como a turma ficou numerosa, fizemos quatro grupos que escolheram duas toadas de Boi (Caprichoso e Garantido) e duas de músicos de Macapá : Nivito e Zé Miguel/Joaozinho Gomes.
O dia foi um dia muito cansativo, aliás a semana toda de preparativos, mas no final, quando os jovens me surpreenderam, pedindo bis, cantando e fazendo coreografia com a música Peróla Azulada, me emocionei e me senti recompensada por tanto cansaço.

Escrito por Vania Beatriz às 22h13
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